1 – Datiloscopia:
É um vocábulo de origem grega composta de duas palavras: “Daktilos” que
quer dizer dedos e “Skopien” que significa examinar. Portanto, trata-se da
ciência que examina as impressões digitais.
2 – Divisão:
A datiloscopia divide-se em:
2.1. Civil: É a que tem por objetivo a identificação das pessoas para
fins civis, tais como: expedição de cédula de identidade civis, militares e
funcionais.
2.2. Criminal: Trata-se da identificação das pessoas indiciadas em
inquéritos ou acusados em processo de acordo com a constituição brasileira.
2.3. Clínica: É a parte da datiloscopia que estuda as perturbações que se
verificam nos desenhos digitais, como consequência de certas doenças ou no
exercício de algumas profissões.
EX.: Doenças: Lepra, Ácido úrico, Alergia.
Profissões: Pedreiro, lavadeira, Lapidador, etc.
3 - As Quatro Finalidades Precípuas da Identificação Criminal:
3.1. Promover a identificação de indiciado em inquérito policial, de
acordo com a constituição Brasileira.
3.2. Levantamento de Impressões digitais em locais de crime.
3.3. Identificação de cadáveres desconhecidos.
3.4. Identificação para verificação de antecedentes criminais.
4- Princípios Fundamentais da Datiloscopia:
É ponto inconteste e estabelecido em datiloscopia que a identificação
pelas impressões digitais se alicerça nos quatros princípios fundamentais
seguintes:
4.1. Perenidade: É a propriedade que os desenhos digitais têm de se
manifestarem desde o sexto mês de vida intra-uterina, até a completa
putrefação cadavérica.
4.2. Imutabilidade: Os desenhos digitais são imutáveis, quer
patologicamente, que pela vontade do indivíduo.
Observação: Somente a lepra é capaz de concorrer para a completa
destruição dos desenhos digitais.
4.3. Variabilidade: Os desenhos digitais variam extraordinariamente,
nos seus por menores, de indivíduo para indivíduo. Até hoje, não foram
encontrados dois indivíduos que tivessem desenhos digitais, absolutamente
iguais.
4.4. Classificabilidade: O aspecto do desenho digital obedece, porém, a
um certo número de tipos fundamentais, onde possibilita a sua classificação.
5 - Desenho Digital:
É aquilo que se vê pelo exame direto na polpa digital das falanges, é
pois, o original da impressão digital.
6 - Impressão Digital:
É a reprodução do desenho digital.
7 - Tipos de Impressões Digitais encontradas nos Locais de Crime:
Existem dois tipos de impressões digitais encontradas nos locais de
crime: as positivas e as negativas. As positivas se subdividem em latentes e
visíveis e as negativas são também denominadas de plásticas.
7.1. Impressões Latentes: São as impressões digitais feitas pelos dedos
impregnados de suor, gorduras, em objetos por eles tocados. Tais impressões
prestam à justiça o mais assinalados serviços, porque frequentemente são
encontradas nos locais de crime.
7.2. Impressões Visíveis: São facilmente vistas a olho nu. São
impressões digitais produzidas pelos dedos sujos de tintas, sangue ou qualquer
outra substância corante. Quando os dedos impregnados com tal material é
colocado em contato com a superfície adequada cuja cor contrasta com ele,
uma impressão visível é formada.
7.3. Impressões Negativas: Também denominada de plásticas, são
feitas pelos de dos pressionados contra certos materiais, tais como: chocolate,
massa de vidraceiro, massa plástica, etc.
8 - Fatores que auxiliam a determinar se as Impressões Digitais Latentes
podem ser encontradas nos locais de crime:
A superfície que é tocada pelos dedos é de grande importância; o ideal,
seria que, para receber boas impressões digitais latentes, a superfície fosse
lisa, não absorvente e limpa. Uma superfície bastante áspera pode receber a
impressão porém, ela ficará tão distorcida pelas irregularidades, que
apresentará um padrão inútil.
Assim, tecidos, couros trabalhados e superfícies absorventes, tende a
sugar e espalhar os elementos úmidos que formam as impressões digitais
latentes.
Vidros, porcelanas, cerâmicas, metais polidos e superfícies pintadas são
excelentes para a recepção de impressões digitais latentes.
"O que quer que você faça, será insignificante... mas é muito importante que você o faça." Mahatma Gandhi
REGISTRO DE ARMA DE FOGO
Para nos ajudar na 'explicação', temos a Lei nº 10.826 de 22 de dezembro de 2003, ou popularmente conhecida como Estatuto do Desarmamento, que está em vigor desde essa data.
A ementa da Lei diz que ela dispõe sobre registro,
posse e comercialização de armas de fogo e munição, sobre o Sistema
Nacional de Armas – Sinarm, define crimes e dá outras providências.
Com isso, vou fazer um destaque
nos artigos e incisos que nos interessam, claro que pretendo ser o mais
simples e objetivo para não alongar muito o texto, mas se por acaso
surgir alguma dúvida, pergunte nos comentários.
Para detalhes de documentações e procedimentos, visite o site da Polícia Federal.
Em seu Capítulo II, que dispõe sobre o Registro de Arma de Fogo:
Art. 3º: É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente.
Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas no Comando do Exército, na forma do regulamento desta Lei.
Ou seja, toda arma deve ser registrada, seja ela de uso permitido ou restrito.
A parte seguinte vai ser sanar todas as dúvidas (ou gerar novas) sobre
os procedimentos para adquirir uma arma de fogo, o que tem sido alvo de
muitas dúvidas dos leitores que entraram em contato comigo, segue:
Art. 4º: Para adquirir arma de fogo de uso permitido o interessado deverá, além de declarar a efetiva necessidade, atender aos seguintes requisitos:
I - comprovação de idoneidade, com a apresentação de certidões negativas de antecedentes criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar e Eleitoral e de não estar respondendo a inquérito policial ou a processo criminal, que poderão ser fornecidas por meios eletrônicos;
II – apresentação de documento comprobatório de ocupação lícita e de residência certa;
III – comprovação de capacidade técnica e de aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo, atestadas na forma disposta no regulamento desta Lei.
§ 1º - O Sinarm expedirá autorização de compra de arma de fogo após atendidos os requisitos anteriormente estabelecidos, em nome do requerente e para a arma indicada, sendo intransferível esta autorização.
§ 2º - A aquisição de munição somente poderá ser feita no calibre correspondente à arma registrada e na quantidade estabelecida no regulamento desta Lei.
§ 3º - A empresa que comercializar arma de fogo em território nacional é obrigada a comunicar a venda à autoridade competente, como também a manter banco de dados com todas as características da arma e cópia dos documentos previstos neste artigo.
§ 4º - A empresa que comercializa armas de fogo, acessórios e munições responde legalmente por essas mercadorias, ficando registradas como de sua propriedade enquanto não forem vendidas.
§ 5º - A comercialização de armas de fogo, acessórios e munições entre pessoas físicas somente será efetivada mediante autorização do Sinarm.
§ 6º - A expedição da autorização a que se refere o § 1o será concedida, ou recusada com a devida fundamentação, no prazo de 30 (trinta) dias úteis, a contar da data do requerimento do interessado.
§ 7º - O registro precário a que se refere o § 4o prescinde do cumprimento dos requisitos dos incisos I, II e III deste artigo.
§ 8º - Estará dispensado das exigências constantes do inciso III do caput deste artigo, na forma do regulamento, o interessado em adquirir arma de fogo de uso permitido que comprove estar autorizado a portar arma com as mesmas características daquela a ser adquirida.
Se você pensa que comprar uma arma legalmente é fácil, está muito enganado, o processo é lento e financeiramente doloroso. Mas, as exigências garantem a segurança das pessoas idôneas, assim, contribuindo para o correto emprego das armas vendidas no páis.
Outro ponto interessante é o seguinte:
Art. 5º: O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o território nacional, autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa.
§ 1º - O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela Polícia Federal e será precedido de autorização do Sinarm.
§ 2º Os requisitos de que tratam os incisos I, II e III do art. 4o deverão ser comprovados periodicamente, em período não inferior a 3 (três) anos, na conformidade do estabelecido no regulamento desta Lei, para a renovação do Certificado de Registro de Arma de Fogo.
Não basta termos apenas o registro e o porte da arma de fogo, o §2º explicita muito bem que os requisitos deverão ser comprovados periodicamente, então você deverá estar apto ao porte, manuseio e principalmente psicológico, para que haja renovação.

Já no Capítulo III, que dispõe sobre o Porte de Arma de Fogo:
Art. 6º: É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para:
I – os integrantes das Forças Armadas;
II – os integrantes de órgãos referidos nos incisos do caput do art. 144 da Constituição Federal;
III – os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e dos Municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei;
IV - os integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais de 50.000 (cinqüenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, quando em serviço;
V – os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e os agentes do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República;
VI – os integrantes dos órgãos policiais referidos no art. 51, IV, e no art. 52, XIII, da Constituição Federal;
VII – os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, os integrantes das escoltas de presos e as guardas portuárias;
VIII – as empresas de segurança privada e de transporte de valores constituídas, nos termos desta Lei;
IX – para os integrantes das entidades de desporto legalmente constituídas, cujas atividades esportivas demandem o uso de armas de fogo, na forma do regulamento desta Lei, observando-se, no que couber, a legislação ambiental.
X - integrantes das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil e de Auditoria-Fiscal do Trabalho, cargos de Auditor-Fiscal e Analista Tributário.
§ 1º - As pessoas previstas nos incisos I, II, III, V e VI do caput deste artigo terão direito de portar arma de fogo de propriedade particular ou fornecida pela respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de serviço, nos termos do regulamento desta Lei, com validade em âmbito nacional para aquelas constantes dos incisos I, II, V e VI.
§ 2º - A autorização para o porte de arma de fogo aos integrantes das instituições descritas nos incisos V, VI, VII e X do caput deste artigo está condicionada à comprovação do requisito a que se refere o inciso III do caput do art. 4o desta Lei nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei.
§ 3º - A autorização para o porte de arma de fogo das guardas municipais está condicionada à formação funcional de seus integrantes em estabelecimentos de ensino de atividade policial, à existência de mecanismos de fiscalização e de controle interno, nas condições estabelecidas no regulamento desta Lei, observada a supervisão do Ministério da Justiça.
§ 4º - Os integrantes das Forças Armadas, das polícias federais e estaduais e do Distrito Federal, bem como os militares dos Estados e do Distrito Federal, ao exercerem o direito descrito no art. 4o, ficam dispensados do cumprimento do disposto nos incisos I, II e III do mesmo artigo, na forma do regulamento desta Lei.
§ 5º - Aos residentes em áreas rurais, maiores de 25 (vinte e cinco) anos que comprovem depender do emprego de arma de fogo para prover sua subsistência alimentar familiar será concedido pela Polícia Federal o porte de arma de fogo, na categoria caçador para subsistência, de uma arma de uso permitido, de tiro simples, com 1 (um) ou 2 (dois) canos, de alma lisa e de calibre igual ou inferior a 16 (dezesseis), desde que o interessado comprove a efetiva necessidade em requerimento ao qual deverão ser anexados os seguintes documentos:
I - documento de identificação pessoal;II - comprovante de residência em área rural; eIII - atestado de bons antecedentes.
§ 6º - O caçador para subsistência que der outro uso à sua arma de fogo, independentemente de outras tipificações penais, responderá, conforme o caso, por porte ilegal ou por disparo de arma de fogo de uso permitido.
§ 7º - Aos integrantes das guardas municipais dos Municípios que integram regiões metropolitanas será autorizado porte de arma de fogo, quando em serviço.
Espero ter feito destaque nas passagens que respondam vossas dúvidas, mas, independente disso, acredito serem as principais do Estatuto do Desarmamento. Só para efeito de curiosidade, alguns valores que devem ser pagos para que você consiga o porte e registro da sua arma:
- Registro de arma de fogo a partir de 1º de janeiro de 2009: R$ 60,00.
- Renovação do registro de arma de fogo a partir de 1º de janeiro de 2009: R$ 60,00.
- Expedição de segunda via de certificado de registro de arma de fogo: R$ 60,00.
- Expedição de porte de arma de fogo: R$ 1.000,00.
- Renovação de porte de arma de fogo: R$ 1.000,00.
- Expedição de segunda via de porte de arma de fogo: R$ 60,00.
Enfim, é isso, recomendo que façam a leitura integral do Estatuto do Desarmamento no site do Planalto, ou se preferirem, façam o download.
Fonte: ArmasdeFogo.org
"Dizem que o Governo, depois de proibir o cidadão comum de usar armas, vai proibir o Exército possuir armas de uso exclusivo dos traficantes." Millor Fernandes
A PERSONALIDADE PSICOPÁTICA
Blackburn
(1998) desenvolveu uma interessante tipologia para os subtipos de
psicopatas, inclusive considerando o aspecto Anti-social como se
tratasse de um dos sintomas possíveis de estar presente em certos
casos. Inicialmente ele fez uma distinção entre dois tipos de
psicopatas e ambos compartilhando um alto grau de impulsividade: um
Tipo Primário, caracterizado por uma adequada socialização e uma
total falta de perturbações emocionais, e um Tipo Secundário,
caracterizado pelo isolamento social e traços neuróticos.
Apesar de todas variações tipológicas dos mais diversos autores, todos parecem estar de acordo nas características nucleares do conceito; impulsividade e falta de sentimentos de culpa ou arrependimento. Mais tarde os 2 subtipos de Blackburn (Primário e Secundário) foram aprimorados em 4 subtipos mas, para nosso trabalho, apenas esses dois tipos iniciais são relevantes :
1 - Os Psicopatas Primários, caracterizados por traços impulsivos, agressivos, hostis, extrovertidos, confiantes em si mesmos e baixos teores de ansiedade. Neste grupo se encontram, predominantemente, as pessoas narcisistas, histriônicas, e anti-sociais. Sua figura pode muito bem se identificar com personalidades do mundo político.
2 - Os Psicopatas Secundários, normalmente hostis, impulsivos, agressivos, socialmente ansiosos e isolados, mal-humorados e com baixa auto-estima. Aqui se encontram anti-sociais, evitativos, esquizóides, dependentes e paranóides. Podem ser identificados com líderes excêntricos de seitas, cultos e associações mais excêntricas ainda.
Entre esses 2 subtipos, as pessoas pertencentes ao grupo dos Psicopatas Secundários, seriam as mais desviadas socialmente, são também desviadas em outros aspectos. Nessas pessoas é onde mais se encontram as anormalidades no Eletroencefalograma, as quais têm sido descritas precocemente.
Os Psicopatas Primários, por sua vez, têm mais excitação cortical e autonômica, e maior tendência a buscar sensações. Entre esses grupos existem também diferenças quanto à agressividade e criminalidade.
Os Psicopatas Primários ainda teriam convicções mais firmes para efetuar crimes violentos, enquanto que os Psicopatas Secundários para os roubos. Psicopatas Primários e Psicopatas Secundários seriam mais dominantes, tanto em situações ameaçantes como aflitivas, mas os Psicopatas Secundários mostram mais fúria diante da ameaça, tanto física como verbal.
Os Psicopatas Primários e Psicopatas Secundários podem corresponder à brilhante classificação de Millon ao Psicopata Carente de Princípios (veja adiante). Esses dois subtipos compartilham alguns traços em comum, mas os Secundários têm muito mais ansiedade social e traços de personalidade esquizóides, evitativos e passivo-agressivos. É muito provável que a maioria ingresse no critério mais amplo de borderlines.
Psicopata
Primário
|
Psicopata
Secundário
|
||
Traços
|
Impulsivos, agressivos, hostis, extrovertidos, confiantes em si, baixa ansiedade. | Hostis, impulsivos, agressivos, socialmente ansiosos, isolados, mal-humorados, auto-estima baixa. | |
Características
de personalidade
|
Narcisistas, histriônicos, anti-sociais. | Anti-sociais, evitativos, esquizóides, dependentes, paranóides. | |
Performance
mental
|
Maior excitação cortical e autonômica, maior busca de sensações. | Pouca habilidade e dificuldade no convívio social | |
Atitude
Anti-Social
|
Inicia mais precocemente a carreira criminal, convicção forte para crimes violentos. | Inicia precocemente a carreira criminal, convicção mais firme para roubo. | |
Outras características |
Dominantes, tanto em situações ameaçantes como aflitivas. | Dominantes, tanto em situações ameaçantes como aflitivas, mostram mais fúria diante da ameaça, tanto física como verbal. | |
Com
relação ao potencial de conflitos interpessoais da personalidade do
psicopata é interessante considerar dois modelos: o grau de poder ou
controle exercido sobre as demais e o grau de afinidade. Sobre o
poder está em apreço a dominância ou a submissão aos demais e, em
relação à afinidade, entra em cena a hostilidade ou o cuidado.
A expressiva maioria dos psicopatas estabelece uma interação social do tipo hostilidade e dominância, ficando a submissão e cuidado por conta dos não psicopatas. Para o exercício da dominância e hostilidade, o psicopata costuma culpar a outros, mentir com freqüência, buscar continuadamente atenção e ameaçar a outros com violência. O contrário dessa postura seria a amabilidade social, representada pelas condutas coercitivas e dóceis.
Entretanto, para complicar ainda mais essa questão dos traços, devemos considerar o desempenho sócio-teatral dos psicopatas, através do qual manifestam atitudes que não fazem parte de suas características genuínas, mas, sobretudo, de suas simulações sociais.
É assim que a Psicopatia pode aparecer estreitamente vinculada com a amabilidade. Neste modelo o Psicopata Primário tende a ser coercitivo e, apesar disso, também dominante e sociável (gregário). Já os Psicopatas Secundários, além de poderem ser também coercitivos, costumam ser mais isolados e aparentemente submissos. Mas ambos tipos exibem estilos interpessoais que os coloca na possibilidade de ter conflitos com terceiros.
De qualquer forma, satisfazendo os critérios usados para definir os Transtornos de Personalidade, de modo geral, os psicopatas tendem a manifestar comportamentos rígidos e inflexíveis.
Millon (1998) desenvolveu também uma subtipologia dos psicopatas, por sinal, de interesse clínico maior que a subtipologia de Blackburm. A idéia de Millon foi dirimir as contradições entre numerosas visões que se têm sobre o psicopata. Mesmo considerando diversos subtipos de psicopatas, Millon deixa claro que existem elementos comuns a todos os grupos: um marcado egocentrismo e um profundo desprezo pelos sentimentos e necessidades alheias.
Com finalidade exclusivamente didática, modificamos, condensamos e sistematizamos a subtipologia de Millon da seguinte forma:
1
- O Psicopata
Carente de Princípios:
Este tipo de psicopata se apresenta freqüentemente associado às
personalidades narcisistas e histéricas. Podem até conseguir
manter-se com êxito nos limites do legal.
Estes psicopatas exibem com arrogância um forte sentimento de autovalorização, indiferença para com o bem estar dos outros e um estilo social continuamente fraudulento. Existe neles sempre a expectativa de explorar os demais (esse traço pode corresponder ao estilo dominante dos Psicopatas Primário e Secundário de Blackburn).
Há neles uma consciência social bastante deficiente e se faz notória uma grande inclinação para violação das regras, sem se importarem com os direitos alheios. A irresponsabilidade social se percebe através de fantasias expansivas e de grosseiras, contumazes e persistentes mentiras.
Estes psicopatas exibem com arrogância um forte sentimento de autovalorização, indiferença para com o bem estar dos outros e um estilo social continuamente fraudulento. Existe neles sempre a expectativa de explorar os demais (esse traço pode corresponder ao estilo dominante dos Psicopatas Primário e Secundário de Blackburn).
Há neles uma consciência social bastante deficiente e se faz notória uma grande inclinação para violação das regras, sem se importarem com os direitos alheios. A irresponsabilidade social se percebe através de fantasias expansivas e de grosseiras, contumazes e persistentes mentiras.
Falta, nesses Psicopatas Carentes de Princípios, o Superego. Essa falta é responsável pelos seus relacionamentos inescrupulosos, amorais, desleais e exploradores. Podem estar presentes entre sociedades de artistas e de charlatões, muitos dos quais são vingativos e desdenhosos com suas vítimas.
O psicopata sem princípios mostra sempre um desejo de correr riscos, sem experimentar temor de enfrentar ameaças ou ações punitivas. São buscadores de novas sensações. Suas tendências maliciosas resultam em freqüentes dificuldades pessoais e familiares, assim como complicações legais.
Estes psicopatas narcisistas funcionam como se não tivessem outro objetivo na vida, senão explorar os demais para obter benefícios pessoais. Eles são completamente carentes de sentimentos de culpa e de consciência social. Normalmente sua relação com os demais dura tempo suficiente em que acredita ter algo a ganhar.
Os Psicopatas Carentes de Princípios exibem uma total indiferença pela verdade, e se são descobertos ou desmascarados, podem continuar demonstrando total indiferença. Uma de suas maiores habilidades é a facilidade que têm em influenciar pessoas, ora adotando um ar de inocência, ora de vítima, de líder, enfim, assumindo um papel social mais indicado para a circunstância. Podem enganar a outros com encanto e eloqüência. Quando castigados por seus erros, ao invés de corrigirem-se, podem avaliar a situação e melhorar suas técnicas em continuar a conduta exploradora.
Carentes de qualquer sentimento de lealdade, juntamente com uma extrema competência em desempenhar papéis, os psicopatas normalmente ocultam suas intenções debaixo de uma aparência de amabilidade e cortesia.
2 - O
Psicopata Malévolo:
Juntamos aqui as características que Millon atribui aos subtipos:
Malévolo, Tirânico e Maléfico, por razões didáticas e por
considerar que todos três comumente se manifestam numa mesma
pessoa.
Os Psicopatas Malévolos são particularmente vingativos e hostis. Seus impulsos são descarregados num desafio maligno e destrutivo da vida social convencional. Eles têm algo de paranóicos na medida em que desconfiam exageradamente dos outros e, antecipando traições e castigos, exercem uma crueldade fria e um intenso desejo de vingança.
Além de esses psicopatas repudiarem emoções ternas, há neles uma profunda suspeita de que os bons sentimentos dos demais são sempre destinados a enganá-los. Adotam uma atitude de ressentimento e de propensão a buscar revanche em tudo, tendendo dirigir a todos seus impulsos vingativos. Alguns traços desses psicopatas se parecem com os sádicos e/ou paranóides, com características beligerantes, mordazes, rancorosos, viciosos, malignos, frios, brutais, truculentos e vingativos, fazendo, dessa forma, com que muitos deles se revelem assassinos e assassinos seriais.
Quando os Psicopatas Malévolos enfrentam à lei e sofrem sanções judiciais, ao invés de se corrigirem, aumentam ainda mais seu desejo de vingança. Quando se situam em alguma posição de poder, eles atuam brutalmente para confirmar sua imagem de força.
Irritados pelo freqüente repúdio social que despertam, esses Psicopatas Malévolos estão continuamente experimentando uma necessidade de retribuição agressiva, a qual pode, eventualmente, expressar-se abertamente em atentados coletivos ou atitudes anti-sociais (a luta sociedade versus eu). De qualquer forma, nunca demonstram a o mínimo sentimento de culpa ou arrependimentos por seus atos violentos. Ao invés disso, mostram uma arrogante depreciação pelos direitos dos outros.
É
curioso o fato desses psicopatas serem capazes de dar uma explicação
racional aos conceitos éticos, capazes de conhecerem a diferença
entre o que é certo e errado, mas, não obstante, são incapazes de
experimentar tais sentimentos.
A noção ética faz com que o Psicopata Malévolo defina melhor o limite de seus próprios interesses e não perca o controle de suas ações. Esse tipo de psicopata se encontra entre os mais ameaçantes e cruéis. Ele é invariavelmente destrutivo, sem misericórdia e desumano.
A noção ética faz com que o Psicopata Malévolo defina melhor o limite de seus próprios interesses e não perca o controle de suas ações. Esse tipo de psicopata se encontra entre os mais ameaçantes e cruéis. Ele é invariavelmente destrutivo, sem misericórdia e desumano.
A noção de certo-errado faz com que esses psicopatas sejam oportunistas e dissimulem suas atitudes ao sabor das circunstâncias, ou seja, diante da autoridade jamais atuam sociopaticamente. Portanto, eles são rígidos na eleição de suas vítimas, identificando sujeitos mais vulneráveis a sua sociopatia ou que mais provavelmente se submetam aos seus caprichos. Mais que qualquer outro bandido, este psicopata desfruta prazer em proporcionar sofrimento e ver seus efeitos danosos em suas vítimas.
3
- O Psicopata
Dissimulado: seu
comportamento se caracteriza por um forte disfarce de amizade e
sociabilidade. Apesar dessa agradável aparência, ele oculta falta
de confiabilidade, tendências impulsivas e profundo ressentimento e
mau humor para com os membros de sua família e pessoas próximas.
Na realidade, didaticamente poderíamos comparar o Psicopata Dissimulado como uma mistura bastante piorada dos transtornos Borderline e Histérico da Personalidade. Isso significa que ele pleiteia um estilo de vida socialmente teatral, com persistente busca de atenção e excitação, permeada por um comportamento muito sedutor.
Por essas características Millon já considerava o Psicopata Dissimulado como uma variante da Personalidade Histriônica, continuamente tentando satisfazer sua forte necessidade de atenção e aprovação. Essas características não estão presentes no Psicopata Carente de Princípios ou no Malévolo, os quais centram em sí mesmo sua preocupação e são indiferentes às atitudes e reações dos outros.
Esse subtipo dissimulado costuma exibir entusiasmo de curta duração pelas coisas da vida, comportamentos imaturos de contínua buscas de sensações. Seguindo as características básicas e comuns à todos os psicopatas, o dissimulado também tende a conspirar, mentir, a ter um enfoque astuto para com a vida social, a ser calculista, insincero e falso. Muito provavelmente ele não admite a existência de qualquer dificuldade pessoal ou familiar, e exibe um engenhoso sistema de negações. As dificuldades interpessoais são racionalizadas e a culpa é sempre projetada sobre terceiros.
A contundente falsidade é a característica principal deste subtipo. O Psicopata Dissimulado age com premeditação e falsidade em todas suas relações, fazendo tudo o que for necessário para obter exatamente o que querem dos outros. Por outro lado, em diferentemente do Psicopata Carente de Princípios ou do Psicopata Malévolo, parece desfrutar prazerosamente do jogo da sedução, obtendo excitação nas conquistas.
Mesmo aparentando intenções de proteger certas pessoas, o Psicopata Dissimulado é frio, calculista e falso, caracterizando mais ainda um estilo fortemente manipulador. Essa característica pode ser conseqüência da convicção íntima de que ninguém poderá amá-lo ou protegê-lo, a menos que consiga manipular a todos.
Apesar de reconhecer que está
manipulando seu entorno social, tenta convencer aos outros de que
suas intenções são boas e que suas atitudes são, no mínimo, bem
intencionadas. Quando as pessoas com esse tipo de psicopatia são
pressionadas ou confrontadas, sentem-se muito encabulados e suas
reações oscilam entre a explosão agressiva e vingança calculista.
A característica afabilidade dos Psicopatas Dissimulados é
superficial e extremamente precária, estando sempre predispostos a
depreciarem imediatamente a qualquer um que represente alguma ameaça
à sua hegemonia, chegando mesmo a perderem o controle e explodirem
em cólera.
4
- O Psicopata
Ambicioso:
perseguem avidamente seus engrandecimentos. Os Psicopatas Ambiciosos
sentem que a vida não lhes tem dado tudo o que merecem, que têm
sido privados de seus direitos ao amor, ao apoio, ou às
gratificações materiais. Normalmente acham que os outros têm
recebido mais que eles, e que nunca tiveram oportunidades de uma vida
boa.
Portanto, estão motivados por um desejo de retribuição, de compensar-se pelo que tem sido despojado pelo destino. Através de atos de roubo ou destruição, se compensam a si mesmos pelo vazio de suas vidas, sem importar-lhes as violações que cometam à ordem social. Seus atos são racionalizados através da idéia de que nada fazem senão restaurar um equilíbrio alterado.
Portanto, estão motivados por um desejo de retribuição, de compensar-se pelo que tem sido despojado pelo destino. Através de atos de roubo ou destruição, se compensam a si mesmos pelo vazio de suas vidas, sem importar-lhes as violações que cometam à ordem social. Seus atos são racionalizados através da idéia de que nada fazem senão restaurar um equilíbrio alterado.
Para os Psicopatas Ambiciosos que estão somente ressentidos, mas que ainda têm controle minimamente crítico de seus atos, pequenas transgressões e algumas aquisições são suficientes para aplacar essas motivações. Mas para aqueles que têm estas características psicopáticas mais desenvolvidas, somente a usurpação de bens e coisas alheias podem satisfazê-los.
O prazer psicopático nos ambiciosos está baseado mais em tomar do que em ter. Como a fome que os animais experimentam em relação à presa, os Psicopatas Ambiciosos têm um enorme impulso para a rapinagem, e tratam os demais como se fossem peões num tabuleiro de xadrez de poder.
Além de terem pouca consideração pelos efeitos de sua conduta, sentindo pouca ou nenhuma culpa pelos efeitos de suas ações, como os demais psicopatas, os ambiciosos nunca chegam a sentir que tem adquirido o bastante para compensar suas privações. Independentemente de suas conquistas, permanecem sempre ciumentos e invejosos, agressivos e ambiciosos, exibindo todas vezes que podem, posses e consumo ostentoso.
A maioria deles é totalmente centrada em si mesmos, contribuindo isso para sua comum atitude libertina e em busca de sensações.
Esses psicopatas nunca experimentam um estado de
completa satisfação, sentindo-se não realizados, vazios,
desolados, independentemente do êxito que possam ter obtido.
Insaciáveis, estão sempre convencidos de que serão sempre
despojados de seus direitos e desejos.
Ainda que o subtipo ambicioso seja parecido, em alguns aspectos, ao Psicopata Carente de Princípios, ele exerce uma exploração mais ativa e sua motivação central é manifestada através da inveja e apropriação indevida das posses alheias. O Psicopata Ambicioso experimenta não só um sentimento profundo de vazio, senão também uma avidez poderosa de amor e reconhecimento que, segundo ele, não lhe ofereceram na infância.
5
- O Psicopata
Explosivo:
diferencia-se das outras variantes pela emergência súbita e
imprevista de hostilidade.
Estes psicopatas são caracterizados por fúria incontrolável e ataque a outros, furor este freqüentemente descarregado sobre membros da própria família. A explosão agressiva se precipita abruptamente, sem dar tempo de prevenir ou conter. Sentindo-se frustrados e ameaçados, estes Psicopatas Explosivos respondem de uma maneira volátil, daninha e mórbida, fascinando aos demais pela brusca forma com que os surpreende.
Estes psicopatas são caracterizados por fúria incontrolável e ataque a outros, furor este freqüentemente descarregado sobre membros da própria família. A explosão agressiva se precipita abruptamente, sem dar tempo de prevenir ou conter. Sentindo-se frustrados e ameaçados, estes Psicopatas Explosivos respondem de uma maneira volátil, daninha e mórbida, fascinando aos demais pela brusca forma com que os surpreende.
Desgostosos e frustrados na vida, estas pessoas perdem o controle e buscam vingança pelos alegados maus tratos a que foram precocemente submetidos. Em contraste com outros psicopatas, esses não se movem de maneira sutil e afável. Pelo contrário, seus ataques explodem incontrolavelmente, quase sempre, sem nenhuma provocação aparente. Esta qualidade de beligerância súbita, tanto quanto sua fúria desenfreada, distingue estes psicopatas dos outros subtipos. Muitos são hipersensíveis aos sentimentos de traição, a ponto de fantasiarem deslealdades o tempo todo.
“Fantasias abandonadas pela razão... produzem monstros impossíveis.” Francisco Goya
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