"O único inimigo que não podemos vencer é aquele que optamos por não enfrentar." Slogan Portal do Detetive

O COMPORTAMENTO RESPONDENTE

   O comportamento reflexo ou respondente é o que usualmente chamamos de "não-voluntário" e inclui as respostas que são eliciadas ("produzidas") por estímulos antecedentes do ambiente. Como exemplo, podemos citar a contração das pupilas quando uma luz forte incide sobre os olhos, a salivação provocada por uma gota de limão colocada na ponta da língua, o arrepio da pele quando um ar frio nos atinge, as famosas "lágrimas de cebola" etc.
   Esses comportamentos reflexos ou respondentes são interações estímulo-resposta (ambiente-sujeito) incondicionadas, nas quais certos eventos ambientais confiavelmente eliciam certas respostas do organismo que independem de "aprendizagem". Mas interações desse tipo também podem ser provocadas por estímulos que, originalmente, não eliciavam respostas em determinado organismo. Quando tais estímulos são temporalmente pareados com estímulos iliciadores podem, em certas condições, eliciar respostas semelhantes às destes. A essas novas interações chamamos também de reflexos, que agora são condicionados devido a uma história de pareamento, o qual levou o organismo a responder a estímulos que antes não respondia. Para deixar isso mais claro, vamos a um exemplo: suponha que, numa sala aquecida, sua mão direita seja mergulhada numa vasilha de água gelada. A temperatura da mão cairá rapidamente devido ao encolhimento ou constrição dos vasos sanguíneos, caracterizando o comportamento como respondente. Esse comportamento será acompanhado de uma modificação semelhante, e mais facilmente mensurável na mão esquerda, onde a constrição vascular também será induzida. Suponha, agora, que a sua mão direita seja mergulhada na água gelada um certo número de vezes, em intervalos de três ou quatro minutos, e que você ouça uma campainha pouco antes de cada imersão. Lá pelo vigésimo pareamento do som da campainha com a água fria, a mudança de temperatura nas mãos poderá ser eliciada apenas pelo som, isto é, sem necessidade de imergir uma das mãos. Neste exemplo de condicionamento respondente, a queda da temperatura da mão, eliciada pela água fria, é uma resposta incondicionada, enquanto a queda da temperatura, eliciada pelo som, é uma resposta condicionada (aprendida): a água é um estímulo incondicionado, e o som, um estímulo condicionado.

   No início dos anos 30, na Universidade de Harvard (Estados Unidos), Skiner começou o estudo do comportamento justamente pelo comportamento respondente, que se tornara a unidade básica de análise, ou seja, o fundamento para a descrição das interações indivíduo-ambiente. O desenvolvimento de seu trabalho levou-o a teorizar sobre um outro tipo de relação do indivíduo com seu ambiente, a qual viria a ser nova unidade de análise de sua ciência: o comportamento operante. Esse tipo se caracteriza a maioria de nossas interações com o ambiente.


"A alma não tem segredo que o comportamento não revele." Lao-Tse 

INVESTIGANDO O AMBIENTE

     Para uma análise comportamental perfeita, precisamos ficar atentos não apenas nas pessoas envolvidas, mas também no ambiente em que se encontram (ou se encontravam). Apenas conseguimos entender os atos quando enxergamos o "campo" em que eles ocorreram, percebendo o momento vivenciado pela pessoa que o cometeu e as circunstâncias que determinaram tal atitude.

     Observando o trabalho do psicólogo, podemos perceber que ele está baseado na observação, escuta, análises emocional e comportamental, sempre atento ao ambiente que o paciente vivenciou ou vivencia. O psicólogo sabe que para entender os indivíduos, precisa se desprender de preconceitos e esteriótipos, do contrário não desempenhará seu trabalho com sucesso, impossibilitando o tratamento.
     O Detetive também deve levar o contexto em consideração para tentar entender a história de vida das pessoas e por que elas agem desta ou daquela maneira. Ignorar o ambiente significa não levar em conta que influenciamos e somos influenciados por nosso meio, já que estamos em constante transformação.
     Então, percebemos que o ambiente, assim como a linguagem comporal, pode revelar muitas coisas sobre as pessoas, como por exemplo, trabalho, educação, lazer, religião, cultura, estado civil e familiar, filiação política, amigos, prioridades, situação financeira. O ambiente poderá confirmar, lançar dúvidas ou aprofundar aquilo que já se sabe sobre alguém a partir da sua aparência pessoal, sua linguagem corporal (se ela é humilde, organizada, conservadora, prática ou extravagante). Quando conhecemos o ambiente de alguém, acabamos descobrindo características reveladoras que nos apontam direções sobre a pessoa em questão: seus gostos, suas opções, suas preferências, seu modo de se organizar, etc...


"Ambiente limpo não é o que mais se limpa... e sim o que menos se suja." Chico Xavier